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Relação Terapêutica


Atualmente, a relação terapêutica tem sido amplamente debatida como uma poderosa ferramenta em clínica, algo que é mais ou menos consensual em todas as correntes que se prestam à investigação em Psicoterapia. Apesar de ser há muito tempo reconhecida a importância da empatia, cordialidade e benevolência para com o paciente, apenas os trabalhos mais recentes, nomeadamente na área da Psicanálise Contemporânea, reconhecem a esta relação, uma relevância muito particular.


Não se trata já, apenas, de proporcionar ao paciente um ambiente seguro e contentor onde ele possa expor as suas angústias, mas trata-se de pensar a relação como a terapia em si (ou como parte muito significativa da mesma).


Uma das principais transformações introduzidas na forma como é vista a relação terapêutica, prende-se com a questão da neutralidade e a ausência de reação emocional do terapeuta. Anteriormente, antes vistas como benéficas numa terapia, atualmente, e se levadas ao extremo, podem mesmo levar a que o paciente se sinta apenas só (Ferenczi, já em 1933, falava-nos do conceito de “hipocrisia profissional”).


A presença inteira, pessoal e espontânea do terapeuta, é bem-vinda e fundamental, pois só a partir de uma relação verdadeira, pode surgir uma mudança verdadeira:


Já não é possível pensar o analista como alguém que decodifica o texto do paciente, fornecendo às escondidas uma conta paralela sobre os significados, mas como um co-autor do tecido narrativo que é construído em sessão com a contribuição criativa de ambos”, Antonino Ferro, 1995.


A partir desta nova perspetiva, o terapeuta é chamado a assumir uma responsabilidade muito maior sobre o que se passa na sessão, pois a qualidade do seu pensamento está em cima da mesa. Nesse sentido, torna-se cada vez mais evidente a necessidade de cada psicoterapeuta realizar o seu próprio processo psicoterapêutico individual e realizar supervisão clínica, para saber utilizar a sua intuição e a sua espontaneidade ao serviço da técnica e em benefício da terapia e do paciente. A sua mente é a sua ferramenta de trabalho, e de modo algum, quaisquer estratégias ou referenciais teóricos podem substituí-la.


É sobretudo com aquilo que sente, que o terapeuta poderá entender o seu paciente, saber o que ele precisa e devolver respostas tecnicamente adequadas. O conceito de contra-tranferência, abordado pela primeira de forma sistemática em 1950 por Heimann, foi amplamente desenvolvido por diversos autores. Atualmente, é mais ou menos consensual a ideia de que o paciente traz à terapia, a sua problemática, por exemplo, através da forma como faz sentir o seu terapeuta (contra-transferência).


E se o conceito de transferência (projeção no terapeuta, de sentimentos e vivências oriundos de outras relações e experiências emocionais), já remota aos tempos na Psicanálise Clássica, atualmente os conteúdos que são “exclusivamente do paciente” dão lugar aos conteúdos da dupla. Nesse sentido a contra-transferência passa também a ter um papel predominante na compreensão do que se passa numa sessão entre um clínico e um paciente.


Segundo Coimbra de Matos (2017), o paradigma da Psicanálise Contemporânea é o Paradigma da Nova Relação. Para o autor, esta relação, sã e sanígena - restauradora do bem estar, facilitadora da descarga do mal-estar, promotora da indagação pessoal e o seu desejo de relação com o mundo (interno e externo) através de uma aliança com a parte saudável do paciente – vai permitir uma mudança verdadeira, da identidade e do estilo de relação.


(...) a relação com o terapeuta é diferente da relação com a mãe e com o pai mas também muda a relação com a mãe e com o pai (passa a ser um tipo e um modo diferente de relação), assim como a relação com todos os outros” (Coimbra de Matos, 2017, pp. 375)


Texto elaborado por: Doutora Marta Reis, Psicóloga, Psicanalista e Formadora na ForYourMind.

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