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A Intervenção Psicológica em Contexto Prisional



A Intervenção Psicológica em contexto prisional reveste-se de especificidades próprias do contexto e da sua população. No contexto prisional encontram-se dinâmicas de risco, violência e vitimização, que embora profissionais as procurem mitigar, constituem um verdadeiro desafio e interagem no desenvolvimento socio emocional e comportamental dos indivíduos em reclusão.


No que respeita ao tratamento penitenciário, a execução das penas baseia-se na avaliação de necessidades e riscos de cada recluso. Engloba um conjunto de atividades e programas com vista à reinserção social do indivíduo, que abrangem o desenvolvimento de competências e de responsabilidade, atendendo à multicausalidade do comportamento desviante. Desde programas de intervenção mais gerais (e.g., formação, desporto, ocupação laboral), a programas de intervenção mais específicos (e.g., Programa Integrado de Prevenção do Suicídio; programas de treino de competências sociais/cognitivas/emocionais; programas com foco em grupos específicos-agressores sexuais, delitos estradais…), o tratamento penitenciário diferencia-se, ajustando-se aos recursos disponíveis em cada estabelecimento prisional. Pretende-se inicialmente por parte da instituição, promover a estabilização emocional e uma adaptação à instituição prisional, sua dinâmica e regras, prevenindo comportamentos de risco. Posteriormente, o objetivo passa por promover competências, trabalhar em problemáticas específicas, e promover a capacitação dos indivíduos.


A intervenção psicológica neste contexto tem segundo a Ordem dos Psicólogos Portugueses, “objetivos preventivos, promocionais e remediativos, e a finalidade última da proteção da sociedade e defesa dos direitos dos cidadãos”. Os psicólogos têm uma diversidade de funções dentro deste contexto, desde o acolhimento inicial, em que são aferidas necessidades, riscos e história pessoal e clínica do indivíduo; a participação em programas da Direção Geral de Reinserção dos Serviços Prisionais, como o programa integrado do risco de suicídio, programa associado ao uso de substâncias, entre outros; acompanhamento individual e de grupo. à intervenção em crise e emergência psicológica.


A exigência e os desafios de que se reveste esta intervenção, incluem um amplo espetro de psicopatologia, com um número elevado de casos complexos de comorbilidade psiquiátrica, que abrangem uma elevada prevalência de casos de perturbações de personalidade, e, uma exigência e dificuldade acrescida no estabelecimento de relações terapêuticas.


De acordo com a literatura científica, a prevalência de psicopatologia, em particular, ansiedade, depressão, perturbações por uso de substâncias, perturbação de stress pós-traumático, e, perturbações de personalidade são superiores às encontradas na comunidade, sendo o risco de suicídio também mais elevado. Tais dados trazem desafios e exigências não só para os profissionais da Psicologia, mas também certamente, para todos os profissionais que trabalham em contexto prisional.


Assim, ao profissional que trabalhe ou que almeje a trabalhar dentro deste contexto, assim como noutros contextos, torna-se relevante, além de trabalhar nas suas competências técnicas, considerar o seu desenvolvimento pessoal, prevenir o burnout, num contexto e com uma população, que muito exige do profissional.


Texto elaborado por: Doutora Dulce Pires, Psicóloga Clínica e Formadora na ForYourMind.

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